Radicalmente Moderado

Morte da criatividade humana - culpa da crise da habitação

Os políticos aceitam a crise da habitação, relativizam a crise, lucram e enriquecem com a crise e ao mesmo tempo vendem a ilusão de crescimento e de que o país está melhor. 

Ao mesmo tempo, vendem previsões de crescimento... 2% ao ano, 3% ao ano... etc. Sarmento nas suas contas de merceeiro acha que nem uma crise de habitação que mata a criatividade e a inovação de imensos concentrados em sobreviver que impede as suas previsões anuais de sonho molhado.

Muitos esquecem que sem habitação e criminalizando bairros de lata e ostracizando sem abrigos, Portugal torna-se uma enorme prisão a céu aberto e uma fábrica medieval de escravos nacionais submissos à exploração especulativa e ultra capitalista fomentada pela burocracia e leis absurdas e por quem governa se beneficiar largamente da crise, de forma pessoal. Não se pode comprar e arrendar casas, não se pode sair da casa dos pais, não se pode montar tendas, não se pode criar casa de lata, não deve haver sem abrigos... então como vamos viver se nada se pode? 

Inicialmente, Portugal era um país que vendia a crença que trabalhando e estudando se conseguiria ser "alguém", ao mesmo tempo que as empresas portuguesas de cariz rígido e tradicional e pouco abertas às novas ideias a nível das práticas laborais bem como a alergia em pagar rendimentos dignos, usavam a fragilidade da lei laboral para chantagear e submeter o seu empregado ao domínio, porque sem emprego, não pagas casa ao banco ou ao senhorio, ou não comes...

Esse domínio se expande ao nível da maneira como faz o percurso de trabalho ou aonde vive... As empresas exigem de tudo: carro próprio e despesas de transportes inteiramente suportadas pelo trabalhador, casa perto do local de trabalho (ignorando a casa da pessoa), disponibilidade, horas trabalhadas e não pagas extras... tudo para "vestir a camisola". Chegam a casa: tem de pagar salários inteiros para a renda ou para o banco, trabalhar apenas e respirar para pagar só a casa e deixam de ter vontades e aspirações. Adiam os seus sonhos, adiam a constituição de família e adiam crianças a nascer... mata o fruto da criatividade humana em esteroides e a beleza da vida. Enquanto as pessoas são criminalizadas por sobreviver nesse mundo e chamadas de "extremistas" por parte da classe política que governa, os senhorios, os fundos de investimento especulativos, os próprios patrões dessas pessoas estão a enriquecer a um nível sem precedentes na história moderna.

Hoje, este sistema é o neo medieval, tecnofeudalista e que oprime através das suas regras e domínio as pessoas.  

A crise da habitação para quem não tem casa paga precariza muito os trabalhadores face a exigências absurdas dos seus superiores hierárquicos... E constitui uma ânfora pesada e restringe muito a mobilidade do profissional na sua carreira.

Alguém com medo de ficar sem casa não tem energia mental, física e psicológica para criar projetos criativos, para ter ideias inovadoras ou para abrir empresas.

Ao mesmo tempo, como se abre empresas se as rendas e o imóvel para a sede e a filial são orgásmicamente caros e impossiveis de chegar? Portugal corre o risco de cair na recessão e estagnação prolongada como itália e japão por vários motivos diferentes. Porque o sistema social e de infraestruturas do país é uma pedra muito pesada na vida de quem é pobre e tem ideias para sair do marasmo e arriscar. Luis Montenegro disse que todos tínhamos de ser Ronaldos, mas ao relativizar a crise e puxar com a barriga não se apercebeu que tal mata o espirito de empreendedorismo vital para as artes, a ciência e a própria economia... No entanto, também existem resistentes... talvez a próxima onda de arte esteja já a nascer... muitos no meio da enorme adversidade continuaram a escrever e a criar... 

Mas quanto á economia, não há milagres sem sedes e espaços fisicos ... é super complicado ter espirito de inovação e a internet não fará milagres.

A crise da habitação resulta de uma crise financeira e económica e, se continuar, vai alimentar o pior pesadelo dos país... crise multidecada de recessão económica a la italiana ou à japonesa e depois os relatos de estagnação europeia dos últimos 20 anos serão apenas lembrados com nostalgia...

A culpa de quem é? de muitos... primeiro do eleitor que desistiu de votar por que se cansou de ser voz ativa na política, segundo do eleitor que votou nos "mesmos de sempre" como se os partidos fossem clubes de futebol, terceiro daquele que seduziu-se por discursos inflamados de autocrata que promete tudo numa mágica e quarto pelos partidos do centro que achavam que as coisas seriam sempre assim e que os votantes continuariam a votar neles. A culpa politica à sua maneira é de todos e até minha. 

Mas o problema não nasceu hoje nem nasceu quando eu era adolescente em plena crise das dividas soberanas... Surge no momento em que é incomportável a financeirização da habitação, o qual vai contra a necessidade fisiológica de abrigo do ser humano... Imagina como seria se a superfície da Terra e cavernas fossem financeirizadas como hoje...aonde os homens pré históricos viveriam? 

Conseguem perceber como o quão estupido foi a ideia da financeirização da habitação? Eu e tu somos seres humanos, viemos á Terra para viver e precisamos de abrigo, direito que é parte da Constituição de 1976 e parte da carta fundamental dos direitos humanos da ONU. Neste momento, pagamos um preço impossível para viver no planeta terra que foi criado com a financeirização da habitação como se fosse um bilhete para viagem de luxo espacial ao espaço como turismo espacial.

É óbvio que haveria de haver protestos como aqueles que temos visto em Lisboa, Porto, Coimbra e outras cidades principais do país. E se o problema continuar... é só o principio... Isto não será instabilidade social a la Roma Antiga no momento da sua crise habitacional... mas sim algo com impacto profundo e muito dificil de parar. Porque neste momento, para nós, aqueles que não possuem a casa aonde vivemos, o planeta Terra se tornou o planeta Marte... impossível de viver.

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